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CAPÍTULO I . BIJUTARIA

Missangas

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O trabalho de missangas Kalbelyia do Deserto doThar é como um cântico:

aporta paz, tanto ao criador como ao usuário.

OS DANÇARINOS DO DESERTO

Conhecidos pela sua dança exuberante e formas festivas, os Kalbeliya são uma das tribos ciganas da Índia - geralmente vindos do Deserto do Thar (parte noroeste do subcontinente indiano que forma uma fronteira natural entre a Índia e o Paquistão).

Tradicionalmente, os Kalbeliya eram designados de apanhadores de cobras da Índia, chamados para remover cobras sem as matar.

Os Kalbeliya são pessoas alegres, conhecidas pelas suas festas frequentes e dança exuberante, que se assemelha aos movimentos sinuosos das serpentes. Eles fazem as suas próprias bijutarias e roupas com muitas decorações.

ESTATUTO, DINHEIRO & TALISMÃ

Há cerca de 1000 anos as pedras de conta e missangas eram consideradas de alto valor monetário, e eram transportadas pelos povos tribais, de um sïtio para o outro, em forma de colares, facilitando o seu transporte.

Tradicionalmente, as tribos usavam as missangas como dinheiro, talismãs e decoração. Mais tarde, as missangas começaram a ser usadas para fazer ornamentos, bolsas, panos de mesa e outros acessórios. Acredita-se que a técnica tenha evoluído como um ofício após o bordado.

Em certas regiões tribais, o estatuto de uma mulher é somente decidido através do trabalho de missangas: quanto mais eficiente e elaborada for a sua técnica, maior estatuto ela recebe.

Este tipo artesanato oferece, tambêm, à mulher um determinado posto hierárquico dentro do seio familiar, uma vez que a tradição artesanal é passada através das gerações, de mães para filhas.

O PROCESSO

Antes de iniciar os seus ornamentos com missangas, a artesã limpa chão e estende, sobre ele, um Sadalo (um pano velho), e só depois começa a organizar as missangas por cores, em pilhas diferentes.

Para separar os fios, ela estica o estilingue e enrola-o à volta do dedo do pé,; depois, ainda segurando os fios, estes são escolhidos um por um.

Determinadas cores são especialmente utilizadas para marcar certas ocasiões: o branco é usado para casamentos, enquanto o verde é usado para os noivados.

Os designs são únicos e principalmente inspirados na arte tribal herdada, com pequenas alterações feitas para se adequar aos gostos contemporâneos. Eles são pré-decididos, verbalmente, entre mulheres, e nunca estudados ou esboçados anteriormente.

Uma vez que o ornamento, ou colar, está pronto, a mulher usa-o diante da comunidade e recebe, então, elogios pela sua bela criação.

O processo, de colocar cada missanga individualmente dentro de padrão, é como uma meditação para a artesã. O trabalho em si assemelha-se a um cântico: aporta paz, tanto ao criador como ao usuário.